LINHAS DE PESQUISA

Teoria da História Digital

A linha de Teoria da História Digital se dedica a pensar as consequências da virada digital para a teoria da história, para a história da historiografia e para as categorias clássicas do ofício do historiador. Interessa-nos investigar como novas materialidades documentais (fontes nato-digitais, grandes bases de dados, arquivos em rede) e novas práticas de pesquisa (mineração de dados, visualização, análise automatizada) tensionam noções de autoria, crítica de fontes, narrativa e escala de análise.

Nesse quadro, a linha procura articular debates sobre arquivo, memória, mídia e tecnologia, trazendo para o centro questões como a historicidade das infraestruturas digitais, a transformação dos regimes de evidência e a redefinição dos limites entre produção, circulação e armazenamento do conhecimento histórico. A Teoria da História Digital opera, assim, como eixo transversal às demais linhas do Centro, oferecendo um vocabulário conceitual para compreender o lugar da disciplina histórica em meio às reconfigurações do trabalho intelectual na era do Big Data.

Dados Abertos

A linha de Dados Abertos tem como objetivo debater criticamente o acesso a dados de pesquisas produzidos nas diferentes esferas de atuação de pesquisadores e áreas disciplinares. Alinhados com os princípios da ciência aberta, entendemos que a prática se caracteriza pela construção inclusiva de dados de pesquisa, combinando boas práticas de conhecimento multilíngue, disponibilidade, acessibilidade, rastreabilidade, transparência e reutilização do material produzido, a fim de integrar diversas áreas do conhecimento e atores da sociedade. Nesse sentido, refletimos sobre as melhores formas de compartilhamento de dados, como metadados, plano de gestão de dados, custódia, estrutura e organização de dados ,e preservação de longo prazo.

Para além de discutir o compartilhamento de dados abertos, a linha se dedica a refletir sobre os problemas éticos que os planos de gestão de dados enfrentam ao tratarem de informações. Desta forma, buscamos o diálogo com diversas áreas do conhecimento para construir os limites disciplinares do problema de compartilhamento de métodos protegidos por interesses estatais ou licenças comerciais, dados anonimizados ou que podem prejudicar pesquisadores e a comunidade e, por fim, dados produzidos a partir de informações confidenciais ou de informações pessoais de pessoas da comunidade.

IA e dados

A linha de IA e dados explora criticamente o uso de inteligência artificial, ciência de dados e mineração de grandes corpora documentais no trabalho do historiador, entendendo esses recursos tanto como ferramentas heurísticas quanto como objetos de investigação. Interessa-nos discutir como algoritmos de classificação, recomendação e reconhecimento de padrões interferem na própria construção de indícios históricos, na definição de relevância arquivística e na organização de bases de dados voltadas à pesquisa em história.

Ao mesmo tempo, a linha enfatiza os dilemas éticos, políticos e epistemológicos colocados pela chamada Era do Big Data: vieses algorítmicos, opacidade dos modelos, limites da quantificação e assimetrias de poder na governança de dados. Nessa perspectiva, IA e dados são pensados em diálogo com debates sobre dados abertos de pesquisa, infraestruturas de conhecimento, justiça cognitiva e as novas formas de autoria e cooperação entre humanos e sistemas automatizados na escrita da história.

Memória Digital

A linha de Memória Digital tem como foco a relação entre práticas de arquivamento, mídias digitais e formas contemporâneas de lembrar eventos-limite, conflitos e experiências traumáticas. Partindo de acervos produzidos por instituições, coletivos e iniciativas de base, a linha analisa como registros digitais – de sites e redes sociais a bancos de dados e repositórios multimídia – são constituídos, descritos, preservados e reutilizados na luta por direitos e reconhecimento.

Teoricamente, a linha dialoga com estudos de arquivo, memória social e humanidades digitais, discutindo temas como preservação de longo prazo, fragilidade de plataformas, regimes de visibilidade, bem como os enquadramentos jurídicos e éticos do armazenamento de dados pessoais e sensíveis. A partir disso, problematiza-se quem controla a memória em um mundo cada vez mais mediado por plataformas digitais, quais experiências são arquivadas e quais permanecem à margem, e como esses processos condicionam futuras possibilidades de escrita da história.

História Pública Digital

A linha de História Pública Digital investiga como narrativas sobre o passado são produzidas, disputadas e apropriadas por diferentes públicos em ambientes digitais, com especial atenção a mídias sociais, plataformas de vídeo, jogos eletrônicos e outras formas de cultura visual. Interessa-nos compreender como coletivos, comunidades e produtores de conteúdo se tornam agentes de escrita da história, disputando autoridade com instituições acadêmicas e arquivísticas, e como essas práticas reconfiguram noções de testemunho, evidência e divulgação científica.

Do ponto de vista teórico, a linha articula debates de história pública, história digital e estudos de mídia, discutindo temas como usos públicos do passado, pedagogias informais de história, circulação de desinformação, bem como os impactos de plataformas corporativas na visibilidade e na preservação dessas narrativas. Ao acompanhar tanto experimentações coletivas quanto conflitos de memória em escala local, nacional e transnacional, buscamos refletir sobre a dimensão política da história quando ela é produzida e consumida em ecossistemas digitais.