
Em 2026, está sendo lançado o Memorial Digital da Pandemia de COVID-19, repositório digital que será Em 2026, está sendo lançado o Memorial Digital da Pandemia de COVID-19, repositório digital que será responsável por preservar as memórias da pandemia de COVID-19. Trata-se de uma iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com UNICAMP e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).
O Centro de Humanidades Digitais da Unicamp, desde os primeiros meses da pandemia de COVID-19, esteve dedicado a responder uma pergunta norteadora que agora rege esta iniciativa do Ministério da Saúde:
Como preservaremos as fontes que servirão de base para construir a história da pandemia?
Já nos primeiros meses de pandemia, em julho de 2020, Thiago Nicodemo, Ian Kisil Marino e Pedro Telles da Silveira publicam o primeiro artigo refletindo sobre o papel do arquivamento na memória da pandemia em curso, estabelecendo as bases para a agenda de pesquisa do Centro de Humanidades Digitais da UNICAMP:
“O que está em jogo é a questão incipiente, porém incontornável, do lugar da história e da memória no mundo contemporâneo. A pandemia da Covid-19 é um evento disruptivo global que, ao mesmo tempo, acelerou o processo de internalização das relações sociais na lógica digital e desnudou o problema das formas e do agenciamento sobre o lembrar e o esquecer nos arquivos digitais.
A criação de um banco de dados com essas memórias, o estudo de experiências de arquivos digitais contemporâneos análogos, o desenvolvimento de aparatos digitais originais, a estruturação de um laboratório transdisciplinar especializado e a realização de parcerias com instituições públicas de pesquisa e de ensino de ponta caminham na direção da busca de uma epistemologia da história em nossa contemporaneidade digital.”
Coronarquivo
A partir desta reflexão, surge, ainda em 2020, o projeto Coronarquivo: um “arquivo de arquivos” dedicado a entender quais entidades estavam mobilizadas na organização e preservação de memórias da pandemia.
Ao longo da pesquisa, foram mapeados dezenas de iniciativas de memória da pandemia criadas por coletivos, instituições, escolas, museus, comunidades indígenas, associações de moradores em favelas, movimentos sociais e pesquisadores em todo o país
Já em dezembro de 2020, organizamos uma live com vários dos projetos mapeados, unidos em torno de uma demanda em comum: a organização de um memorial da pandemia.
O trabalho então consistiu no mapeamento sistemático de iniciativas por todo o território, entre universidades, grupos comunitários, ONG’s e instituições governamentais, as diferentes iniciativas de
memória da pandemia.
Grupos sociais que produziram memórias ao longo da pandemia, formatos diversos, etc.Números: 120
*Os dados do mapa não foram atualizados
HISTÓRIAS ORAIS SOBRE
O ARQUIVAMENTO
Desde 2021, a equipe do CHD realiza entrevistas de história oral com as equipes das diferentes iniciativas de arquivos digitais sobre a pandemia de COVID-19 no Brasil e na América Latina.
LIVRO – POR UMA HISTÓRIA DA COVID-19

Em 2023, várias das experiências e resultados de pesquisa do projeto Coronarquivo foram organizados na forma do livro “Por uma história da COVID-19: iniciativas de memória da pandemia no Brasil”, organizado por Ian Kisil Marino e Thiago Nicodemo.
Dois artigos escritos para a Oxford Research Encyclopedia, ‘COVID‑19 and Digital Archives in Latin America’ e ‘Digital Informal Archives in Contemporary Brazil’ ajudam a nomear um fenômeno: durante a pandemia, arquivos poderosos nasceram longe de arquivos públicos, museus e bibliotecas. São arquivos digitais informais, criados por pessoas comuns, que recolhem relatos, imagens, vídeos e dados em plataformas diversas, muitas vezes com poucos recursos e muita invenção.
Arquivos informais: Oxford Research Encyclopedia

Política Pública de mapeamento
Em março de 2024, o Ministério da Saúde realiza, em Brasília, o “Seminário Memorial da Pandemia de Covid-19”. O seminário foi marcado pela assinatura de um Memorando de Entendimento entre os Ministérios da Saúde e da Cultura, formalizando a parceria para a criação do Memorial da Pandemia de Covid-19 no Centro Cultural do Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro.
Ao longo de 2024 e 2025, o diálogo constante resultou na construção de um modelo de política pública voltado à memória da pandemia. A proposta envolve não apenas a criação de um memorial, mas o reconhecimento e a articulação de uma rede já existente de iniciativas, muitas delas organizadas pela própria sociedade durante o período de crise.
Dessa forma, se consolida a ideia de um Memorial Digital da Pandemia da Covid-19 como um projeto estruturado de política pública, ancorado em princípios de preservação digital, acesso aberto e participação social para garantir a preservação destas memórias coletivas.

O Memorial

Em 2026, o projeto “Memorial Digital da Pandemia de Covid-19” consolida suas bases conceituais, institucionais e técnicas e se prepara para o lançamento público de um portal digital gerido pelo Ministério da Saúde, lançado em abril de 2026. O portal reúne depoimentos, entrevistas, produções artísticas, fotografias, documentos e referências bibliográficas sobre a pandemia, articulando várias das iniciativas de memória anteriormente mapeadas pelo CHD, espalhadas por diferentes territórios e contextos sociais, e permitirá através de políticas de crowdsourcing um crescimento contínuo do acervo.
Ao mesmo tempo, o projeto se desdobra para além do ambiente digital. Estão previstas ações de difusão, como exposições itinerantes em diferentes capitais e uma exposição permanente no Centro Cultural do Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro, ampliando o alcance público do Memorial e reforçando seu papel como espaço de elaboração coletiva da memória da pandemia no Brasil.
Com a participação do CHD na concepção e na curadoria, o Memorial Digital transforma anos de pesquisa em uma infraestrutura pública duradoura: um repositório histórico‑digital que garante acesso aberto, preservação de longo prazo e reconhecimento das múltiplas memórias da Covid-19 no Brasil.



